Após o sucesso de “Melancholic Blue”, Ivana Wonder inaugura Primeiro Ato, seu álbum de estreia. O título não faz referência apenas ao teatro, mas ao gesto de criar o próprio palco, um espaço de afirmação artística onde sua voz, suas histórias e seus personagens podem existir. É desse lugar que nasce esse projeto atravessado pela tragédia e comédia, duas forças que Ivana reconhece como parte inseparável de seu mundo e sua música.
Com sete composições autorais e uma interpretação de Carlos Gomes, “Quem Sabe?”, Primeiro Ato é uma introdução formal ao universo da drag Ivana Wonder, puxando ouvintes para dentro desse mundo onde ela é a figura central.
Mais do que partir de referências sonoras específicas, o primeiro projeto solo de Ivana Wonder foi sendo construído a partir de seu imaginário, de suas vivências e de suas referências. Artistas que acompanham sua formação, como Maysa, Ney Matogrosso, David Bowie ou PJ Harvey, aparecem nesse universo como presenças que ajudam a moldar seu ponto de vista artístico.
“Para mim, a inspiração acontece muito nesse lugar. É sobre cenas. Sobre como a música constrói um ambiente, uma personagem, uma temperatura”, explica Ivana: “Todos aparecem de algum modo nesse imaginário. Existe um glamour ali, mas um glamour que também pode ser estranho, teatral, excessivo, rock and roll”.
Com dez anos de carreira drag, Primeiro Ato chega para abrir as portas de um novo capítulo: “Essa é também minha estreia como compositora”. Ivana, que já havia escrito faixas para seu duo de música eletrônica Vermelho Wonder, narra que, durante a pandemia, se descobriu como letrista, transformando poemas, histórias e experiências em músicas.
Em produção há oito anos, o Primeiro Ato de Ivana Wonder é a “versão mais fiel de mim”: “O disco foi sendo descoberto enquanto era feito. Muitas vezes, eu sabia exatamente o que queria, mas não necessariamente sabia explicar aquilo em termos técnicos. Porque o que eu queria era um disco sem medo. Sem medo de ser brega, sem medo de ser clichê, sem medo de exagerar”.
Uma das coisas mais importantes para Ivana é que esse disco reflita sua verdadeira identidade, trazendo toda sua história com ela. Como artista drag, inclusive, a cantora reflete sobre sua posição na cena drag, afirmando que esse disco também vem para mostrar que artistas drag podem fazer de tudo, sem limitações.
“O que eu faço também não é drag music? Talvez a gente tenha criado uma ideia muito estreita de onde uma artista drag pode existir sonoramente”, afirma Ivana, acrescentando: “Eu quero fazer tudo. Quero cantar um musical, quero estar num filme como atriz, quero estar numa peça de teatro, quero fazer discos completamente diferentes entre si. As possibilidades são múltiplas e, sonoramente, também precisam ser”.









