Revisitando O Grande Hotel Budapeste | Imersão total no meticuloso universo de Wes Anderson

Em mais um ato de completa genialidade de cineasta, “O Grande Hotel Budapeste” — inspirado nos livros “O Mundo Que Eu Vi” e “Cuidado da piedade” de Stefan Zweig, chegou aos cinemas em 2014 trazendo a assinatura mais fiel e marcante de Wes Anderson: seu perfeccionismo na criação de visuais estonteantes. O longa metragem encanta amantes do cinema e das artes visuais com o talento do diretor (que trouxe vida à um hotel cenográfico feito em miniatura), através de sua disposição cinematográfica que não permite, em momento algum, que o público perca de vista seus acontecimentos enlouquecedores.

“O Grande Hotel Budapeste” conta a história de um jovem escritor (Jude Law) que, por curiosidade, buscou conversar o proprietário do hotel para entender a trajetória que o levou a conquistar sua posição atual. Zero Moustafa (o proprietário), então decide contar toda sua jornada desde quando era apenas um mensageiro, até se tornar o melhor amigo do gerente do famoso hotel e acabar se envolvendo no mistério de um assassinato e no roubo de um quadro extremamente valioso.

Os personagens do longa metragem são propositalmente descritos com características semelhantes à grandes nomes da comédia como Charles Chaplin e os Irmãos Marx, pois assim como um bom e inteligente filme de época, Wes Anderson trouxe para o que seria o seu mais novo sucesso, uma analogia ao regime fascista e à censura e opressão aos imigrantes durante a década de 30.

Alguns outros fatores também chamam bastante atenção para o longa, sendo um deles exatamente o que rendeu não apenas uma indicação mas, o prêmio de Melhor Direção de Arte no Oscar de 2015, são os detalhes perfeccionistas do cineasta, presentes em cada momento do filme, desde o figurino até o posicionamento de objetos em cena e essa não foi a primeira vez que vimos um filme assinado por Anderson tendo uma produção tão cuidadosa.

Assim como o público pode ser mantido de olhos vidrados na tela pela grandiosidade em sua aparência, o contrário continua dentro de cogitação, já que além de suas referencias históricas às opressões do regime político daquela época e a construção dessa crítica social, tudo que o filme tem para oferecer são visuais que marcaram a história do cinema, pois sua trama é apenas uma aventura cômica de época.

Indicado em 9 categorias no Oscar e 11 categorias no BAFTA, incluindo a de Melhor Filme nas duas maiores premiações do cinema, “O Grande Hotel Budapeste” se consagrou como uma grande referência para o futuro das criações cinematográficas. Ainda não assistiu? Não perca tempo, o filme está disponível na Star+.

Nota: 89/100

Por marcos vinicius

pisciano, fotógrafo e conversador.


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