RAYE brilha em “This Music May Contain Hope” com seus vocais, produção e emoção 

Segundo disco de RAYE mistura drama cinematográfico, participações marcantes e letras profundas em uma jornada emocional

This Music May Contain Hope é o segundo álbum de estúdio da cantora inglesa RAYE, porém sua primazia é de quem já está na estrada da música há algum tempo. Com múltiplas habilidades vocais, performáticas e de produção que a artista coloca nesse disco — sem contar com seu coração, completamente dilacerado e entregue ao ouvinte — o percurso do álbum passa por diferentes fases. Pode-se dizer que se assemelha aos estágios do luto, já que transita entre sentimentos de negação, raiva, barganha, depressão e aceitação (em diferentes ordens).

A narrativa é apresentada logo em “Intro: Girl Under The Grey Cloud.”, e os 73 minutos que se sucedem são dignos de uma boa dramaturgia. Uma trilha sonora perfeita, que misturaria as dos filmes “007 – Operação Skyfall”, “O Fantasma da Ópera” e “Interstellar”, toma forma aqui, em uma mistura com sample do Inverno das “Quatro Estações” de Vivaldi, o lado RAYEthm and poetry e até mesmo uma eletrônica instrumental. Toda essa gama de características funciona harmonicamente em razão das fases do disco, deixando a jornada por This Music May Contain Hope quase tão envolvente quanto os vocais da britânica.

Falando na trilha sonora de Interstellar, a artista convida Hans Zimmer, nome que assina essa parte primorosa do filme, para participar de seu disco — é a união cinematográfica de “Click Clack Symphony.”. E de participações especiais, RAYE teve um dedo de ouro: Al Green a acompanha na incrível “Goodbye Henry”, seu avô Michael na delicada “Fields.” e suas irmãs, Amma e Absolutely, na esperançosa “Joy”. 

Todas as composições de This Music May Contain Hope são merecedores de escuta. O single “WHERE IS MY HUSBAND!”, apesar de ser rico, fica atrás das faixas “The WhatsApp Shakespeare.” e “Winter Woman”. Em “I Will Overcome.”, a compositora fala sobre as comparações feitas entre ela e Amy Winehouse. É fato que ambas partilham algumas características, assim como também podemos mencionar Lola Young, Little Simz e, sem risco algum, a poderosíssima Adele, porém RAYE é singular.

Em “Fin“, dando cabo à 1h13 do espetáculo, RAYE dita os nomes de seus parceiros de trabalho. Apesar da canseira que todo o drama consciente deste disco pode causar, somente uma pessoa com tamanha sensibilidade para as coisas do mundo e do âmago poderiam escrever as letras que Rachel Keen colocou neste trabalho.

A inserção de trechos de conversas com seu avô, além do trio com suas irmãs, trazem seu quê de ternura a This Music May Contain Hope. A melancolia tem grande valor nas mãos de RAYE, ainda mais profunda e teatral em seu segundo disco. Tem quem se identifique. 

83/100

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