“O Diabo Veste Prada 2” chega aos cinemas com uma sequência (quase) impecável

Com referências ao primeiro filme, uma trilha sonora atualizada e um elenco maduro, o longa chega com o mesmo carisma e magnetismo que a versão de 2006

Como atualizar um clássico? Como revisitar algo tão amado, cultuado e referenciado pela cultura pop sem estragar o que já foi feito? A linha entre um sucesso garantido de bilheteria e uma sucessão de escândalos e polêmicas é tênue, e em um mundo de continuações desastrosas e não muito bem vistas, O Diabo Veste Prada 2 arriscou suas chances em atualizar uma história, 20 anos depois.

Os elementos que funcionaram tão bem no primeiro filme estão todos de volta: os personagens tão queridos, os looks memoráveis, a política editorial e a dinâmica complexa no ambiente de trabalho que flerta com o abuso, o poder e a submissão. Mas em tempos modernos, nem toda piada funciona e alguns comportamentos não podem ser mais venerados. Como atualizar a essência de personagens ácidos sem matar sua personalidade? Como tornar aceitável o que tentamos tanto evitar?

Runway, 20 anos depois. O que era a maior revista de moda do mundo, agora é lida em posts do Instagram. Grandes ensaios fotográficos são reduzidos a pequenos editoriais. O que poucas pessoas ditavam e comunicavam como norma, agora dividem atenção com qualquer pessoa que queria utilizar as redes sociais para cativar uma audiência. As notícias se espalham em uma velocidade nunca vista, polêmicas e cancelamentos se revezam quase por turno e, em meio a tanto prestígio, algumas reputações não podem ser desafiadas. É nesse cenário que Miranda Priestley, interpretada por Meryl Streep, se vê por um fio: uma polêmica com seu nome cai na internet e coloca em cheque seu profissionalismo e postura — até então, imaculados.

Se o tempo passou, nada ficou no lugar. Andy Sachs (Anne Hathaway) e Emily Charlton (Emily Blunt) ocupam novas posições no mercado, abraçam novos desafios mas, ainda assim, tem seus caminhos sobrepostos com o de Miranda. Enquanto discute o avanço tecnológico, o corte de gastos e substituição de pessoas e a imposição da Inteligência Artificial, O Diabo Veste Prada 2 se coloca de novo no centro da discussão, mas agora, de uma forma quase mais interessante ou necessária. Sim, o primeiro filme encerra sem necessidade de uma continuação, principalmente depois de duas décadas. Mas se o tempo parece afastar as narrativas, é justamente o que torna o roteiro potente e a dinâmica do filme eficaz.

O amadurecimento da trama, a atualização de narrativa e o olhar atento aos tempos modernos se fazem tão precisos quanto o carisma dos elementos já conhecidos, indo muito além de um escoro esperado na nostalgia e entregando um material fresco e coerente.

Se nos últimos anos as continuações entregaram resultados desastrosos, O Diabo Veste Prada 2 dribla esse feitiço e chega como uma sequência muito competente, que atualiza a história e renova o potencial do filme de ser um sucesso interessante no presente, enquanto leva seus personagens icônicos para um sólido futuro.

89/100

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