Tradução da matéria de capa de junho de 2026 da Interview Magazine, com entrevista feita pelo jornalista Mel Ottenberg e fotografias por Nadia Lee Cohen.
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MADONNA! ENTREVISTA! 2026! Esta é a décima primeira vez da Madonna na capa desta revista — mais do que qualquer outra estrela. “HERSTORY” (história dela[s])! Nós fotografamos essas imagens tarde da noite nos arredores de Londres. Madonna deu à personagem do ensaio o nome de Dee Dee, uma mulher divertida e de vida intensa que bebia prosecco, usava um cabelo volumoso e ouvia os Stones no último volume, até sermos expulsos.
Houve momentos naquela noite em que senti um poder de estrela em um nível que nunca havia experimentado antes, se é que isso é possível… Na tarde seguinte, fui à casa de Madonna para o segundo round: um bate-papo de 90 minutos após ouvir o próximo álbum, Confessions on a Dance Floor: Part II. Enquanto um retrato de Frida Kahlo olhava protetoramente para mim por cima do ombro de Madonna, conversamos sobre passado, presente, futuro, oração, pênis, levedura nutricional e muito mais…

Mel Ottenberg: Você está fantástica.
Madonna: Não sou mais a Dee Dee. Já sinto falta dela. Ela era uma garota que gostava de curtir a vida.
Ottenberg: Ela era ótima. E vamos falar sobre ela, mas primeiro quero perguntar qual é o seu perfume, porque o cheiro é tão…
Madonna: Frutado?
Sim, tem um cheiro lindo e delicioso. O que é?
É uma combinação de Portrait of a Lady e Radical Rose. Gosto de mudar. Meu principal é o Portrait of a Lady, e depois adiciono coisas diferentes, dependendo do meu humor. Também gosto do nome Portrait of a Lady (Retrato de uma Dama). Porque ela é, às vezes.
Ela é. Certo, acabamos de ouvir o álbum. Você já tinha tocado quatro músicas para mim quando nos conhecemos.
Bem, agora está terminado.
Vamos começar pelo começo. Por que este álbum agora?
Eu deveria fazer um filme sobre a minha vida. Trabalhei no meu roteiro por dois anos e passei dois anos na Universal Studios com os diretores de produção fazendo orçamento e elenco. Tivemos um desentendimento, eu e a Universal, em relação ao orçamento que eu precisava — eu tive uma vida extraordinária. Tive uma vida enorme, então precisava de um orçamento grande. Sabe o que quero dizer? Não vai ser um…
Um filme independente.
Não. Eles não conseguiam entender isso. Encontrei uma maneira de fazer por menos dinheiro na Sérvia, mas não acho que eles estivessem muito a fim da ideia de — não sei. Talvez eles simplesmente não acreditassem em mim. Uma das primeiras reações deles foi: “Não acreditamos que você ficaria na Sérvia por mais de quatro dias”. E eu disse: “Vocês leram o roteiro?”. Minha vida inteira é sobre sobrevivência. Não vou lá para passar férias. Mas, de qualquer forma, fiquei no limbo quando isso desandou, e então a Netflix entrou em contato para fazer uma série. Esse foi outro processo longo, porque eu não podia usar o roteiro que tinha com a Universal, a menos que o comprasse deles por um preço de extorsão, mesmo tendo sido eu quem o escreveu. Nem pergunte.
Não vou perguntar.
É assim que as coisas funcionam. Comecei a tentar entender como funcionaria fazer uma série. É um processo muito, muito diferente. Você tem que se reunir com muitos roteiristas e encontrar o showrunner certo, e eu não conseguia encontrar um. Isso se arrastou por mais oito ou nove meses. Pensei: “Ainda bem que tenho outro emprego, porque preciso trabalhar, preciso criar. Preciso fazer o que nasci para fazer”.
Entrei em contato com o Stuart [Price] porque achei que o mundo está em um lugar muito sombrio e as pessoas precisam dançar. Eu não trabalhava com o Stuart há muito tempo. Tínhamos acabado de fazer a Celebration Tour juntos, mas fora isso, eu realmente não o via ou falava com ele há provavelmente 15 anos. Eu estava morando em Nova York e entrei em contato com ele, pensando: “E se tentássemos fazer o Confessions on a Dance Floor: Part II e entrássemos novamente no mundo da dance music inspiradora?”. Então vim para Londres e fui ao estúdio dele, e estávamos apenas brincando para ver se havia magia entre nós. Eu tinha muitas coisas acontecendo na minha vida pessoal. Meu irmão estava muito, muito, muito doente, e minha madrasta, com quem eu tive uma relação muito traumática durante toda a minha infância, tinha acabado de morrer.
É difícil para mim escrever uma música sobre nada. Tenho que contar uma história. Então escrevi sobre muitos traumas familiares e depois começamos a fazer dance music. Fiquei indo e vindo algumas vezes e então disse: “Ok, isso está certo. Isso parece bom. Então, a menos que a Netflix me ligue amanhã com um roteirista de quem eu goste, vou começar a seguir por este caminho”. Claro que, no meio do processo, com mais de 75% do caminho percorrido, encontramos o roteirista e pensei: “Não posso voltar atrás agora. Tenho que adiantar isso um pouco”. Então foi o que fiz.
Sinto que este álbum estava destinado a acontecer.
Sim, com certeza, agora que passei por isso e tantas coisas muito importantes me aconteceram ao longo do caminho. Por exemplo, a música que escrevi com a minha filha, Lola. Ela me procurou para escrevermos uma música juntas como uma forma de curar nossa relação. Foi um momento realmente importante e solidificou a ideia de que agora é o momento de fazer este disco.
Para ter este momento.
Bem, todas essas coisas simbólicas aconteceram. Minha madrasta morreu, meu irmão estava doente, meu irmão morreu, minha filha me procurou… sabe o que quero dizer? E então pensei, bem, é como o roteiro do meu filme. Começa com a morte e termina com a morte, mas há toda essa vida no meio. Assuntos paradoxais, obviamente, mas a morte faz parte da vida. Parecia que eu tinha muito a desabafar.
Começa de forma tão divertida, mostrando realmente que, se você começou no mundo das pistas e chegou onde está a partir das boates, isso sempre estará em você.
E isso sempre me salvou. Tenho uma música que não está no disco chamada “What Will Save Me”. Fiz com a Arca e o Stuart. Todos nós conversamos sobre a sensação de sermos excluídos e como a vida noturna e estar na pista de dança fazem você se sentir parte de uma comunidade, sem dizer nada. Isso te salva todas as vezes, sempre que você está se sentindo mal, sempre que sente que não consegue acertar, sempre que se sente um fracasso, seja o que for. Saia para dançar, porque isso vai te salvar.
Certo.
Passei por toda essa escuridão no começo, escrevendo essas músicas com o Stuart, e depois fechamos o ciclo, e pensei: “Ok, agora o que acontece? Como saímos disso? O que acontece quando você entra em uma boate, ou entra na pista de dança, ou vai a uma rave?”.
Porque a vida é pesada…
Pode ser, mas eu sempre sigo em frente e sou uma sobrevivente.
Você é! Ok, quero falar sobre uma música do seu álbum, “Danceteria”.
Ok.
Só quero ouvir você contar a história. Vamos falar sobre aquela noite, naquela boate. É 1982. Você tinha algum dinheiro na carteira?
Não, não, não. Eu não tinha dinheiro. Eu era realmente uma sobrevivente das ruas. Eu vivia mudando, dependendo dos outros. Morava nos apartamentos das pessoas. Eles me deixavam ficar por alguns meses, depois eu sublocava algum lugar por seis meses, depois me mudava de novo. Eu era constantemente expulsa. Estava morando em um lugar que era ilegal. Como se chama? Não um prédio onde se possa morar, mas um prédio onde se possa trabalhar.

Era uma zona comercial para escritórios.
Era no Garment District (Distrito da Moda). Eu circulava por todos aqueles prédios, porque as pessoas estavam fazendo roupas, criando tecidos e desenhando e pintando neles. Muita gente tinha lofts nesses prédios, então acabavam morando lá ilegalmente e alugavam quartos. Se houvesse um esquisito morando em um andar, eu ia para o próximo andar. Se houvesse um cara fazendo filmes pornôs que quisesse que eu participasse deles e ficasse constantemente batendo na minha porta e me assustando, eu dizia: “Tenho que ir [para outro andar]”.
E bem naquela época, a Danceteria era o lugar do momento.
Fiz minha fita demo de “Everybody” e me disseram que havia um DJ chamado Mark Kamins. Todo mundo dizia: “Você tem que ir lá, tem que conhecê-lo, tem que dar um jeito. E tente se vestir de forma interessante, porque eles não vão te deixar entrar se você não parecer interessante”. Eu pensei: “Que merda, não tenho nenhuma roupa interessante”. Estava vivendo com as minhas roupas de dançarina, porque foi por isso que me mudei para Nova York, para ser dançarina.
Entendi.
Eu provavelmente parecia completamente trágica esperando na fila da Danceteria. Foi quando o Martin [Burgoyne] veio falar comigo. Ele era muito fofo: cabelo loiro cacheado, brincos subindo pelas orelhas, shorts xadrez de golfe, botas Doc Martens, óculos de armação preta e uma camiseta branca com um colete de tricô por cima. Ele disse: “Você parece perdida”. E eu estava. Ele disse: “Venha comigo. Eu te coloco para dentro”. E ele simplesmente furou a fila até a frente. Todo mundo o conhecia. Ele dizia oi para todo mundo. O segurança abriu a corda de veludo. Ele me colocou para dentro e minha vida inteira mudou. E, obviamente, passei a ir muito lá porque estava tentando encontrar uma maneira de bajular o Mark Kamins.
Ele me via como uma stalker completa. Alguém dizia: “Lá está o Mark Kamins”, e eu ia sentar ao lado dele e dizia: “Ei, eu sei que você é o DJ aqui e tenho trabalhado nesta música e adoraria ter a chance de tocá-la para você, se for possível”. Ele era fofo e eu estava usando todo o meu charme o máximo que podia, e ele dizia: “Você sabe quantas pessoas me incomodam querendo que eu ouça as demos delas?”. Ele saía, mas eu continuava importunando. Eu simplesmente continuava voltando. Fiquei amiga da Debi Mazar, que tinha 16 anos quando trabalhava lá e mentia sobre a idade. Ela frequentava a Wilfred Academy de Cabelo e Estética e nos demos bem imediatamente. Ela costumava segurar o elevador, tipo apertar o botão de emergência, e sair para dançar comigo. Ela estava sempre com os visuais mais incríveis. O rosto dela estava sempre impecável. O cabelo estava arrumado. Eu ficava dizendo: “Nossa, garota, como você consegue ficar tão bonita? Eu tenho três peças de roupa e nem sei como me maquiar”. Mas a Debi e o Martin realmente me guiaram por ali e, eventualmente, acabei em um banheiro com o Mark Kamins e o vi cheirando cocaína. Ele já morreu. Posso dizer isso.
Continue.
Ele era um cara maravilhoso, mas fez muitas coisas que as pessoas faziam nos anos 80 e que não deveriam ter feito. Você sabe do que estou falando.
Claro.
Comecei a juntar as peças e pensei: “Ok, ele gosta disso, gosta daquilo”. Então, um dia, eu e a Debi tivemos a ideia de que iríamos — isso vai soar terrivelmente manipulador.
Por favor, nunca pare de contar.
Desde o início, eu pensava: “Vou conseguir. Vou ser alguém”. Nada podia me parar. Eu estava prestando atenção em tudo. Também percebi que, se você está na farra, não está prestando atenção em nada, então nunca entrei nessa também. Tenho certeza de que eu era a única pessoa sóbria na Danceteria. Então, de qualquer forma, levei um pouco de cocaína para ele no banheiro, levei-o para a cabine, eu e a Debi.
Você deve ter dado uns tecos com ele por puro charme, não?
Claro, mas doeu na minha garganta. E pensei: “Isso não é uma boa ideia para uma cantora. Quero ter um emprego mais do que minha vontade de me divertir agora”. Então, de qualquer forma, nos pegamos um pouco, cheiramos um pouquinho e depois ele concordou em ouvir minha fita demo. Essa história está muito longa?
Não. Por favor, nunca pare de falar.
Uma noite, o Michael Rosenblatt da Sire Records estava lá e estava na cabine do DJ — eu podia entrar na cabine do DJ agora porque tínhamos trocado saliva. [Risos]
Vocês estavam “ficando”, como dizem.
Claro. Convenci-o a tocar minha fita cassete. Naquela época, você podia tocar uma fita cassete como parte do equipamento de DJ.
Ele já tinha ouvido antes?
Ele ouviu nos fones de ouvido. Havia dois DJs lá em cima na época, então ele não estava tocando no momento. Ele ouviu e teve uma ideia. Quando começou a mixar o set dele, ele a misturou no meio de uma música.
Você sabe qual era a música?
Pode ter sido Kurtis Blow, ou Sugarhill Gang, ou Afrika Bambaataa. Então, de qualquer forma, ele começou a tocá-la e as pessoas continuaram dançando. Esse era o teste: elas continuariam dançando? Porque elas já estavam dançando.
Certo, elas continuam dançando? Funciona?
Sim, funciona. Funcionou, e o Michael estava lá. Eles olhavam um para o outro e olhavam para mim. Eu estava na cabine do DJ. Ele a tocou uma segunda vez mais tarde na mesma noite, e eu desci para a pista de dança e dancei, com o Martin lá me vigiando como meu anjo da guarda.
Você já era bem popular a essa altura. Estava meio que dominando.
Não. Nada popular.
“Quem é ela?”
É. As garotas jogavam bebida em mim. Eu não era popular. Eu era irritante para todo mundo porque eu era uma dançarina e não estava mais dançando de forma tradicional. Eu simplesmente enlouquecia na pista de dança, colocando tudo para fora. Sozinha. E aí as pessoas imediatamente pensam que você é esquisita. Ela esqueceu de tomar o remédio ou algo assim.
[Risos]
Eventualmente, o Michael me levou ao Seymour Stein e foi assim que fui contratada pela Sire Records. Mas voltando à Danceteria, obviamente o Martin era meu melhor amigo. Ele, o Mark, a Debi e muitas outras pessoas — essa se tornou a minha comunidade, meu grupo de amigos. Estávamos sempre juntos. Essa foi uma das épocas mais fabulosas da minha vida. Você provavelmente já era nascido ou…?
Não, estou completando 50 anos este mês.
Você surgiu na época pós-loucura da AIDS?
Bem, cresci com o medo da AIDS. Mudei-me para Nova York em 1998.
Ah, ok.
Mas quando eu tinha 14 anos, meus pais me levaram para a [Madonna:] Blond Ambition. Levaram-me os meus irmãos de 10 e 11 anos. Tínhamos assentos na pista.
Que pais de mente aberta.
Tenho muita sorte. Lembro-me de caminhar pelas barracas de produtos e ver todos aqueles caras gays de shortinhos curtos. Eu nunca tinha visto homossexuais antes, curtindo juntos. E pensei: “Meu Deus. Nossa. Eu não tinha ideia”.
[Risos] Aquele foi um momento ótimo e histórico.
Fiquei muito grato por isso. Obrigado por me deixar recordar o passado com você, mas agora tenho uma pergunta de verdade: estamos de volta ao tempo real. Vocês começaram a fazer o disco ouvindo o Confessions original?
Com certeza. Ele estava prestes a ser lançado novamente, então pensamos: “Tem que ser tão bom quanto ou melhor do que este”. Fiz outros discos, como o Ray of Light com o William Orbit, e tem todas as coisas que faço com o Mirwais. Amo todos eles, mas meu som com o Stuart, eu nem preciso pensar. Nós simplesmente canalizamos. É isso que acho que estava acontecendo. É isso que produzir significa para mim. Você reúne todos os seus gostos, seu conhecimento, sua visão e junta um grupo de pessoas que estão alinhadas com você.
O que é a boate do amor, Madonna?
Um lugar onde você não precisa de palavras para expressar o que sente, onde você simplesmente se conecta à música e tem uma experiência fora do corpo ou entra em um delírio febril.
Como eu sei bem, porque fiz o seu styling ontem para a capa e nos divertimos tanto, não foi? [Risos]
Sim. Pude viver minhas fantasias de dona de casa.
Sim. O nome dela era Dee Dee.
Ela era uma personagem. Trouxemos alguns figurinos fofos para ela.
Deixamos ela quebrar tudo. Existe uma referência específica para a mulher do Confessions II que te empolga? Eu estava pensando nisso ontem durante o ensaio, quando coloquei “Big Spender” de Sweet Charity e você simplesmente arrasou demais para mim. Esse foi um dos pontos altos da minha carreira. Você sabia o que estava fazendo conosco.
Pensei: “Ou isso vai funcionar ou vou assustar todo mundo”.
Obrigado por isso. Notei que você encarna músicas assim, ou como “Monkey Man”, a música que toca durante o momento em que a Debi está doidona de cocaína em Os Bons Companheiros.
Sim.
Ninguém nunca foi tão específico com música em um ensaio fotográfico antes. Respeito.
Eu definitivamente me transformo em humores com a música. Eu diria que a garota do Confessions on a Dance Floor é a garota do ensino médio, eu mesma, que nunca era convidada para nenhum baile porque assustava todo mundo, os garotos. Eu ia aos bailes sozinha, enlouquecia e fazia o que queria. Interpretava a personagem que eu quisesse, fosse uma personagem de um musical ou — na época, no ensino médio, eu era obcecada pelo David Bowie. Pensava: o que o David Bowie faria? Eu me fazia essa pergunta o tempo todo. E a resposta seria: ele não estaria nem aí para nada.
Ele sempre dizia coisas como: “Não tente agradar o público comum”, ou: “Quando você está em águas profundas e seus pés mal estão tocando o chão e você acha que vai se afogar, você está no lugar certo”. Isso me marcou muito. Meu Deus, não havia ninguém como ele, a maneira como canalizava sua feminilidade, seu senso de estilo, seu conhecimento de arte e espiritualidade. Ele era profundamente musical e comovente, e genuinamente não se importava, da forma mais inteligente possível. Minha garota, eu mesma, dançando ao som de “Big Spender”, ou a garota em Confessions on a Dance Floor, é a garota que está canalizando essa energia. Vou fazer o que eu quiser.

Ela é selvagem porque não está nem aí.
Hum-hum. Posso ser quem eu quiser ser. É por isso que começo o disco desse jeito. “Obrigada por virem.” É um pequeno momento confessional, revelando como é difícil confiar nas pessoas. Nunca sei por que as pessoas gostam de mim. É difícil entender meu lugar no mundo, mas aqui na pista de dança, me sinto tão livre. Acho que isso é verdade para muita gente. É acolher as pessoas de volta a esse estado de espírito, porque todo mundo está preocupado. É algo grandioso.
É fácil esquecer de sair e estar com as pessoas agora, porque a maioria de nós está viciada em nossos celulares.
Como achamos que se olharmos o Instagram por duas horas, estivemos de fato com alguém. É uma atividade profundamente perturbadora.
Sim.
É hipnotizante e também destrói a alma.
Você consome notícias trágicas compulsivamente na internet (doomscrolling)?
Ocasionalmente abro o Instagram e surge algo que me faz ir para o próximo visual. E então digo: “O que estou fazendo? Tenho 5.000 coisas para fazer. Saia do celular“. Tenho muita disciplina quando se trata de redes sociais, simplesmente porque cresci sem isso. Não tive Instagram até 2018 ou algo assim. Cresci sem TV. Não sou uma pessoa que se inclina para a distração. Meu Deus, faço listas todas as noites, espalho Post-its por toda parte, e então meu dia fica cheio de atividades às vezes chatas, mas também muito empolgantes. E percebo que, se fico no Instagram por mais de 10 minutos, fico deprimida, e não quero ir por aí. Por que estou dando a essa entidade inexistente poder sobre a minha alma, meu cérebro, minha visão de mim mesma, minha visão do mundo? O tempo é precioso, e isso é algo que sei desde sempre. O tempo é precioso. O que posso terminar? O que posso fazer?
Eu guardo diários. Meu empresário os compra para mim o tempo todo. Este aqui diz “The Queen” (A Rainha). Eu uso provavelmente três por semana. Amo escrever. Com a minha mão. Escrevo todas as minhas letras. Vejo que você também escreve…
Eu tenho que escrever.
No estúdio, preciso escrever no papel e ler desse papel quando estou cantando. Eu rabisco, cometo erros, reescrevo, vou para a próxima página. Mas valorizo essas páginas. São relíquias. A conexão mente-mão faz parte da sua alma de uma forma que mandar mensagens de texto nunca poderá ser. Não há alma em mensagens de texto.
Fico feliz por ter crescido sem tudo isso, porque isso me fez frequentar museus. Foi assim que descobri a Frida Kahlo. Quando você precisa sair para aprender e conhecer pessoas, você tem uma experiência de vida muito diferente.
Você me mostra a capa do álbum?
Só tenho em formato digital.
Confessions é realmente uma das minhas capas de álbum favoritas de todos os tempos.
Sério? Nós não pensamos muito naquela, eu e o Steven [Klein], mas funcionou super bem.
E o styling da Arianne [Phillips], eu fiquei tipo: “Meu Deus”.
Era apenas o meu collant e cabelo de discoteca.
E não ver o rosto, mas ver o corpo e saber imediatamente quem é. Aquele figurino era tão inovador, mas não parecia em nada com o que estava na moda ou era descolado em 2005. Foi marcante porque era…
Único.
Você nos deu algo que não sabíamos que precisávamos.
Sim. Estou procurando a capa. Ela faz referência ao Confessions I, e eu uso muitas das mesmas roupas, as botas YSL e as jaquetas que a Gucci fez para mim em todas as cores. Não sei se você se lembra daquele visual.
Claro que lembro. Sou obcecado por Confessions, para sempre.
Tirei tudo dos meus arquivos e levei para o ensaio fotográfico da capa do álbum com o Rafael Pavarotti.
Ah, fantástico.
Nós integramos isso em tudo.
Amo isso. Estávamos conversando sobre Laranja Mecânica ontem e você estava me contando como aquilo foi uma referência de estilo para o clipe de “Hung Up”.
Ah, sim. Laranja Mecânica também inspirou Na Cama com Madonna, quando estou cantando a música “Keep It Together” e usamos os chapéus coco. Se você voltar e ouvir aquilo, dá pra ver que pego um pedaço inteiro de diálogo daquele filme e falo no microfone.
Gaultier fez aquela estrutura de gaiola para mim.
Consigo visualizar o figurino.
Chapéu coco. Aquilo também foi inspirado por Laranja Mecânica. Adaptei a música do Sly and the Family Stone, “Family Affair”, e depois a reinterpretei pelos olhos do Malcolm McDowell, o ator.
O pequeno Alex.
Sabe como ele diz: “Um pouco do velho entra-e-sai”? Eu digo isso ao longo de toda a música. Isso inspirou muito da minha criatividade, os filmes do Stanley Kubrick, ponto final.
Estou curioso sobre “Voltamos para casa e é frágil. Meus pecados são meu salvador, a traição é o teste”, que são letras da música que você faz com a Lola.
Hum-hum.
Eu realmente amei as partes de “Não se esqueça de mim, não se esqueça de ser feliz” de…
Esse é o meu irmão, Christopher.
É realmente lindo.
Obrigada.
Ele veio até você em um sonho?
Ele vem até mim em muitos sonhos. Houve uma época em que fomos muito próximos. Se você assistir a Na Cama com Madonna, você o vê o tempo todo.
Claro, sim. Isso realmente ficou gravado em mim. E amo “Meus pecados são meu salvador”. Apenas anotei: “Fantasia sexy, profunda, anos 90”.
Sim, é o Stromae cantando nela. Ele tem uma voz fantástica.
Voz linda. “Eu não estava perdida, estava apenas quebrada. Tentaram me derrubar.” Do que você está falando?
Pessoas de mente estreita que são ignorantes, que julgam antes de investigar. A sociedade, basicamente. Aqueles que me condenam.
Você aprendeu a não se incomodar com isso?
Ah, costumava me incomodar muito, porque eu ficava tipo: “Não acredito que eles são tão estúpidos. Eles não entendem. Eles não compreendem”. Eu faço muitas coisas provocativas, mas sempre há uma razão por trás disso e ninguém se dá ao trabalho de investigar, o que pode fazer você querer desistir dos seres humanos. Mas logo você percebe que muitas pessoas não têm pensamento crítico. Elas não examinam de fato o que estão olhando, o que estão ouvindo. Não estão sintonizadas com as sutilezas e as camadas de significados que existem. Em certamente não fazem isso quando vem de uma mulher. Picasso era um tremendo canalha com as mulheres, comportava-se mal, era um moleque mimado e todas essas coisas, mas era um pintor brilhante. As pessoas relevam tudo isso porque ele fazia grandes pinturas. Não estou me comparando a Picasso, mas quando uma mulher faz isso, é… agora as pessoas têm a mente mais aberta sobre mulheres fazendo coisas provocativas.
De certa forma. Quero dizer, elas têm a mente aberta sobre as mulheres fazendo coisas que você fez primeiro.
Têm a mente aberta sobre as mulheres estarem nuas. Porque agora todo mundo está nu. Agora não quero estar nua porque todo mundo está nu. Essa é a minha natureza. Quero fazer o que as pessoas não estão fazendo, que é pensar e usar roupas.
Sim. E falar sobre sentimentos.
Exatamente.
Você escreve músicas sobre a sua experiência de uma forma que é pessoal para você, mas identificável para todo mundo.
É uma autobiografia. Venho escrevendo sobre o meu passado desde que comecei a escrever meu roteiro. A Celebration Tour foi uma retrospectiva de toda a minha carreira musical. Sinto que meu cérebro está sintonizado com a memória e como tudo está conectado e onde isso me trouxe. O passado é uma parte muito importante da minha vida — não para remoer, mas para aprender e compartilhar com outras pessoas.
Você está mais sintonizada com o seu passado criativo agora? Faz sentido voltar para fazer algo novo?
Voltar, mas também fazer do jeito que eu quero fazer, não da maneira que acho que meu público quer ouvir todas aquelas músicas antigas. Quero desconstruir tudo. Entende o que quero dizer? Quero pegar aquelas músicas antigas e fazê-las de uma forma completamente diferente. Ou quero examinar o significado mais profundo delas.
Ah, acho que você realmente fez isso. Essas músicas são incríveis e poderosas.
E fiz referência a muito do meu passado ao longo do disco, até mesmo com letras reais. Sabe o que quero dizer?
Em “LES Girl” você está realmente falando sobre a sua vida. Seus fãs estão ouvindo fatos sobre você, então atinge de uma forma diferente. Quem é aquele garoto do Lower East Side?
Um cara com quem eu estava saindo, que era músico e por quem eu estava apaixonada. Ele era realmente um arquétipo.
Ele tem um nome?
Sim, mas não vou dizer.
Ok. Ele era gato?
Se ele tinha um rosto parecido com o de Marlon Brando, era gato. Quem é mais gato que o Marlon Brando?
Com toda a certeza, absoluta.
Posso comer pipoca enquanto falo?
Claro. Pessoal, ela está comendo pipoca.
Minha comida favorita, você pode dizer isso.
Eu sei disso desde sempre.
Não comia há uma semana.
A foto do Patrick Demarchelier de você comendo pipoca na sua casa em Lake Hollywood, em um vestido Patrick Kelly com styling do André Leon Talley…
Muito bem.
Eu sei muito bem do que estou falando, Madonna. Eu não seria o editor da Interview sem a Madonna. Quando foi a última vez que você se confessou?
Bem, cada música deste disco é… não cada música. Algumas são apenas alegria. “Love Sensation” é apenas alegria. Mas muitas das músicas aqui são confessionais.
E quanto à última vez que você se confessou em uma igreja?
Ah, faz tempo.
Você tem alguma relação com a religião propriamente dita?
Bem, fui criada como católica e sou uma católica cultural. Sabe o que quero dizer? Quando vou à Itália, vou às igrejas. Sinto o cheiro do incenso, acendo uma vela. Faço todas as coisas com as quais estou familiarizada porque são evocativas e me fazem sentir de uma certa maneira. Percebo o quão pagão é o catolicismo. Religião linda. Ir às igrejas e ver todas essas pinturas, um homem nu em uma cruz, sangrando, sofrendo, e a mãe dele chorando. Tantos recursos visuais dramáticos. E depois, quando você comunga, recebe o corpo e o sangue de Cristo. Isso é sombrio. Minha mãe era muito religiosa. Não pratico, mas ainda me sinto conectada a isso.
E quanto a Deus?
O que tem Ele?
Sua conexão. Tipo, você medita? Você…
Rezo. É uma combinação de meditação, apenas declarando minhas intenções para o dia, afirmações positivas e pedindo ao universo ou a Deus ou aos arcanjos, ou aos anjos, que venham até mim e me protejam e/ou me ajudem a alcançar algo. Você sabe que estudo a Cabala e faço isso há muitos anos. É a interpretação mística do Antigo Testamento. Então, participo de muitos feriados ou ocasiões dentro do calendário lunar que se assemelham ao judaísmo.
Eu sou judeu. Quero dizer, sou mais judeu culturalmente, mas fiz bar mitzvah.
Você é circuncidado.
O ponto é que sou circuncidado. O que você coloca na sua pipoca?
Levedura de cerveja. Quer um pouco?
Adoraria. Muito obrigado.
Eu deveria ter te oferecido antes.
Não, não, não.
Você pode não gostar.
Não precisa me oferecer.
É muito bom.
Obrigado. Também amo pipoca. Obrigado por me dar.
É rica em vitaminas do complexo B. Você já comeu levedura de cerveja?
Espere, isso é levedura nutricional?
Sim.
Meu Deus. Eu odeio levedura nutricional. Meu namorado está sempre tentando colocar isso em tudo. Ele sempre me diz que fica ótimo na pipoca. Agora que a Madonna faz isso, eu vou fazer.
Ok, ótimo. Eu te influenciei de novo.
Nossa, uau. Você realmente me seduziu com isso. Se eu fosse te comprar flores — e sinto que você tem uma exigência muito específica de diva com flores — qual seria o seu pedido de flores?
Gardênias. São raras e têm o perfume mais celestial. Depois disso… nossa.
O que é aquilo? O que é aquilo bem ali?
Peônias. Tulipas. Essas são…

É como uma tulipa vermelha escura… Espere.
Não, não sei o que é aquilo.
Aquilo é uma tulipa?
Isto é uma tulipa. Gosto de peônias. Gosto de cravinas. Gosto de — como se pronuncia? Anêmonas?
Anêmonas, sim.
Anêmonas. Não suas inimigas [“enemies”, a tradução em inglês, tem pronúncia parecida], mas anêmonas. Tulipas. Não sei. Sou muito específica em relação a flores, mas, como você sabe, todo mundo sabe que não deve me trazer hortênsias.
Ok. Nada de hortênsias. Você dorme bem?
Não.
O que você faz para lidar com isso? Às vezes rezo quando acordo no meio da noite.
Rezo. Medito. Assisto a um filme italiano porque me faz sentir acolhida e me lembra da minha infância. Mergulho meus pés no bidê. Sento no vaso. Coloco água morna e sal de magnésio no bidê e fico só…
De molho.
Isso me acalma.
Há algum filme que você viu recentemente e que realmente te impressionou?
Sim, fiquei deslumbrada com Bugonia. Que gênio. Amo todos os filmes dele [Yorgos Lanthimos].
Você já viu Dente de Cão? É talvez o segundo filme dele. Você vai gostar. É em grego. Você viu Sirāt?
Sim. Eu adorei, mas fiquei muito desapontada com o final. Queria que ele pegasse aquele trem e encontrasse a filha dele. Depois de todo o sofrimento pelo qual ele passou.
Eu sei. Espere, qual é a sua dieta? Você continua muito em forma.
Pipoca. [Risos]
Você deve treinar todos os dias.
Não treinei hoje. Estou cansada pra caralho.
Treinou ontem antes do nosso ensaio?
Não, mas treino regularmente.
O que você faz?
Bem, estou com um joelho ruim agora. Não tenho cartilagem nele, graças a dançar por tanto tempo de salto alto, correr no asfalto e fazer Ashtanga Yoga. Até um ano atrás, eu estava pulando em trampolins, fazendo aeróbica de dança e fazendo muito do que um médico chamaria de sobrecarga nas articulações. Não posso mais fazer isso. Então agora faço bicicletas Peloton, o Versa Climber e treinamento em circuito de alta intensidade. Ando muito de bicicleta ao ar livre. Danço.
Você está ótima.
Obrigada.
Estou realmente me divertindo conversando com você, Madonna. Alguém te chama de Madonna? Eu simplesmente amo te chamar de Madonna porque estou com a Madonna.
Meu pai e meus parentes, sim.
[Risos] Então, basicamente, sou um grande careta. Vou começar a te chamar de M.
Quando as pessoas dizem meu nome, fico surpresa, porque todo mundo só diz M.
Você quer ficar em Londres porque os Estados Unidos estão muito ferrados?
Bem, não me mudei para cá porque os Estados Unidos estão muito ferrados. Mesmo aqui, os Estados Unidos estão muito ferrados. Não estamos tão longe. Mudei-me para cá porque queria trabalhar com o Stuart sem parar e não ficar voando de um lado para o outro o tempo todo. Amamos futebol nesta casa. Somos torcedores do Chelsea e é muito mais fácil ir aos jogos se você mora em Londres.
Certo.
Gosto da minha casa aqui, mas nunca fico em lugar nenhum por mais de três anos. Fico farta. Depois da COVID, fui para Nova York. Agora estou em Londres. Gosto de me mudar o tempo todo. Tenho que resolver as escolas. Tenho que descobrir o que vou fazer com o meu tempo. Com quem vou trabalhar? Quem é a minha comunidade? Manter-me constantemente fora da minha zona de conforto e não afundar no comodismo me mantém sentindo viva. Sou como uma cigana.
Ela é uma cigana.
Nova York está meio chata no momento.
Gosto de estar em Nova York, mas estou na fase de ficar em casa. Fui dançar três vezes no ano passado. Cresci nas boates, e uma vez que você é esse tipo de pessoa — mas porra, eu nunca saio.
Não sinto falta de sair em Nova York, mas sinto falta do Central Park, e sinto muita falta do Met porque eu costumava morar na Rua 81.
Sim. É divertido entrevistar você.
É bom saber disso.
Eu simplesmente amo a sua vibe. Você é a Madonna. Para quem você está mandando mensagem agora?
Para o meu assistente, porque tenho que ter uma reunião com o Geordon [Nicol] e o Stuart sobre remixes e também sobre as boates que vamos frequentar. Sintonizar com as pessoas.
Quando você está treinando, você ainda curte muito o house dos anos 90 e coisas do tipo?
Sim. O Confessions I é perfeito para treinar. O novo é perfeito. Na verdade, selecionei o disco com base no quanto ele me fazia mover. E em como eu me sentia.
Já conhecemos qual é a duração do álbum?
Uma hora e cinco minutos. E essa é a duração do meu treino. É perfeito.
Amo isso.
Quando chegamos em “LES Girl”, estou me alongando. Estou chorando e me alongando.
Ela está chorando. Ela está se alongando.
Estou solitária. [Risos]
Bem, o álbum é implacável. Mantém o seu corpo em movimento o tempo todo.
Que bom.
Quem fez as botas que você está usando agora?
Sabe de uma coisa? Eu calcei as botas e disse: “Aposto que ele vai me perguntar”. Eu não sei, porra. Alguém sem importância.
Ok. Deixe-me olhar. Estou olhando o interior do sapato da Madonna. Ah. É Diesel. E as calças e a regata são Rick Owens, certo?
Claro.
Os óculos você conseguiu em um brechó em Tóquio. Você me contou ontem. Gosto muito deles. Por fim, você realmente tem um cabelo maravilhoso. Você nasceu com um cabelo lindo, certo?
Sim.
Você não tem cabelos brancos.
Tenho. Um pouquinho.
Ok, mas quando não estamos olhando para as raízes, parece apenas que…
Está lá. Fico surpresa de ainda ter algum cabelo, considerando toda a descoloração que fiz ao longo dos anos.
Espere, como foi sua viagem a Veneza? Você estava filmando The Studio.
Foi interessante estar de volta à cena do crime, porque foi lá que filmei meu clipe de “Like a Virgin”. Tive que reviver a experiência. Tive que entrar naquela gôndola com a Julia Garner, que deveria estar me interpretando.
Sim. Você se lembra de fazer aquele clipe?
Com certeza.
Você estava tão sexy. É pura ousadia real, aquele clipe. É como um perfeito homem italiano deslumbrante.
Sim.
Uma gôndola e um leão.
Tudo o que você precisa para se divertir. [Risos]
Ah, Deus. Você em 1984 é uma loucura total. Você realmente quebrou tudo. Continua quebrando. Este álbum é quente demais.
Fico feliz que tenha gostado.
Gostei de verdade. Ah, espere. Enquanto você está na sua mesa, tenho um pedido.
O que foi?
Eu estava procurando a sua capa da Interview feita pelo Herb Ritts quando estava em casa fazendo as malas, porque é a melhor, aquela em que você está segurando a sua virilha. Ela sumiu, mas encontrei um livro Sex fechado e queria saber se você seria tão gentil a ponto de abri-lo e assiná-lo.
Claro.
Obrigado, Madonna. [Risos] As vantagens do trabalho. Ok, pessoal. A Madonna vai abrir o livro Sex para mim. Ela está usando uma tesoura.
Não os meus dentes. Não podemos rasgar tudo. Isto é arte. Supõe-se que você nem deve abrir isso.
O livro Sex foi lançado quando eu estava no primeiro ano do ensino médio e…
Você o leu ou apenas…
Claro. Estávamos todos olhando para ele na sala de estudos e ficando muito excitados. Então esse cara me convidou para ir à casa dele depois da escola e pensei: “Vou finalmente perder a minha virgindade“. E então ele disse: “Na verdade, é melhor não ficarmos juntos hoje”. E eu fiquei tipo: “Ah”.
Não, o quê?
Na verdade, é o cara com quem perdi a virgindade, mas só anos mais tarde.
Quantos anos mais tarde?
Eu diria dois anos mais tarde.
Nossa, isso foi há muito tempo.
Eu sei, querida. Era o início dos anos 90 também. Ninguém estava transando.
Não estavam?
Ou nós não estávamos. Eu tinha medo da AIDS, e era um adolescente.
Sim.
Ok, conseguimos. O livro está saindo.
O bebê está nascendo.
Está novinho em folha. Minha cópia original foi roubada há muito tempo.
Ah, sinto muito. Você ainda vê o Tony Ward?
Vejo. Fico verdadeiramente deslumbrado. Não consigo nem falar com ele.
Ele é incrível. [Madonna assina a cópia de Sex] Ok. Você quer ler?
Vou ler mais tarde. Obrigado por ser a nossa estrela da capa do verão de 2026.
O prazer é meu. Tenho muitas lembranças afetuosas da revista.
Espere, você tem alguma lembrança passageira do Andy Warhol?
Ele costumava gravar tudo em fita cassete. Todas as conversas. Você sabe disso, certo?
Claro.
Ido não me incomodava muito. Eu não estava pensando no que ia acontecer na minha vida, então não me importava. Mas o Basquiat costumava ficar com muita raiva dele. Ele fazia coisas realmente irritantes com o Warhol para fazer com que ele não conseguisse usar a fita ou simplesmente para desligá-la. E as respostas de uma única palavra do Warhol eram uma loucura. Ele realmente transformou isso em uma forma de arte. E no passado, quando você olha para as entrevistas com ele, ou até mesmo entrevistas com o Basquiat, elas são tão… aquelas na frente das câmeras onde ele pensa por um breve momento e apenas diz… “Não”. Tão genial. Porque a maioria das pessoas estúpidas é que faz entrevistas.
Cem por cento. As vibes eram de outro mundo. E estamos aqui pelas vibes. Você me deu vida e agora vou para casa.
…E você me dá vida. Obrigada. Diga oi para Nova York por mim.
Ok. Tchau.
Tchau, Mel. Tenha uma boa viagem.









