Harry Styles é a estrela da nova edição da W Magazine e fala sobre sua volta aos palcos com a Together, Together Tour, que chega a Nova York para uma residência de 30 shows no Madison Square Garden. A turnê acompanha seu quarto álbum solo, Kiss All the Time. Disco, Occasionally., e tem um formato diferente das anteriores: em vez de passar por dezenas de cidades, Harry escolheu fazer temporadas mais longas em apenas sete locais. Em Londres, foram 12 noites esgotadas no Wembley Stadium; em Nova York, mais de 500 mil pessoas devem passar pelos shows ao longo de dez semanas.
A pausa que Harry fez depois da turnê de Harry’s House também mudou sua relação com a própria fama. Ele conta que passou um período vivendo de forma mais anônima na Itália, frequentando shows do LCD Soundsystem e clubes como o Berghain, e que isso o ajudou a desenvolver uma vida que não dependesse exclusivamente de estar no palco. “Estou um pouco mais confortável com quem sou quando não estou fazendo isso”, explica. Para ele, entender que a carreira não é permanente tornou a volta aos palcos muito mais prazerosa.
Um dos principais assuntos da conversa é justamente a necessidade de se afastar da percepção que o público tem dele. Harry diz que passou a consumir constantemente a própria imagem refletida na internet e que isso começou a afetar até a maneira como se movimentava e criava. “Assim que você lê um comentário… é a morte!”, brinca. Segundo ele, tanto elogios quanto críticas podem ser perigosos quando passam a influenciar o processo criativo, porque o artista deixa de criar algo que realmente quer mostrar e começa a “performar para uma audiência”.
Harry também fala sobre como enxerga sua relação com os fãs. Para ele, os shows não são exatamente sobre colocar o artista no centro de tudo, mas sobre criar um espaço que pertença a todos. “Quando você está no palco, é uma posição quase divina”, afirma, mas diz que não está pedindo para as pessoas o seguirem: ele acredita nas mesmas coisas que o público acredita e está ali para compartilhar aquela experiência. Essa mudança de perspectiva também fez com que ele percebesse que os fãs são responsáveis por uma parte enorme do que acontece nos shows, algo que fica ainda mais evidente em uma residência tão grande como a de Nova York.
A entrevista ainda passa pela relação de Harry com momentos presenciais e imperfeitos em uma época marcada por isolamento e inteligência artificial. Ele valoriza experiências que não podem ser reproduzidas digitalmente — como ficar ao lado de um estranho suado em um show, enfrentar chuva ou simplesmente viver algo que não foi planejado para virar conteúdo. Para ele, são justamente esses momentos “improdutivos” e imperfeitos que acabam ficando na memória. A matéria foi escrita por Julio Torres, com fotografias de David Sims e styling de Harry Lambert. O ensaio contou ainda com cabelo de Lukas Tralmer, maquiagem de Dotti e set design de Patience Harding. A edição de moda da W Magazine chega às bancas em 8 de setembro.









