Três anos após passar pelo país, o girl group sul-coreano aespa regressou ao Brasil com a SYNK : COMPLæXITY TOUR, num show bastante molhado para mais de 21 mil pessoas em São Paulo, no dia 4 de setembro.
Elas voltam ao país sendo agora uma das maiores forças do K-pop contemporâneo, carregando vários hits, uma estética muito autêntica e um espetáculo grandioso que, naquela noite, precisou aprender a existir fora de controle.
Já nos segundos iniciais do show, é visível o quanto o visual futurista é, rigorosamente, uma das melhores marcas do aespa. A partir do momento em que Karina, Giselle, Winter e Ningning sobem ao palco, cria-se de verdade uma celebração genuína — ainda mais por o primeiro momento ser com a excelente “LEMONADE”.
A setlist é o elefante na sala. A ausência de canções como “Thirsty”, “My Plan” e, claro, “Drama” (maior hit do grupo) é, sem dúvida, um ponto negativo que os fãs devem levar para o coração. Isso, somado a um final ajustado numa pressão baixa e morna, faz o show desacelerar por completo rumo a um adeus um tanto afetivo.
As pausas intermináveis para contar o storytelling da turnê talvez sejam uma das piores partes — ainda mais debaixo de chuva. Esses interlúdios para introduzir os blocos são grandes demais e quebram o clima que os vários momentos mais altos do show geram. Por que não trocar algumas dessas exibições de filmes (ou aquele esquisito Random Dance) por momentos de troca com o público, que, por sinal, aconteceram bem pouco?
Mesmo que vários minutos do concerto sejam dedicados especialmente a esses vídeos, as meninas apresentaram uma série de excelentes momentos que consagraram várias músicas em versões impecáveis ao vivo. “Can’t Help Myself”, por exemplo, ganhou inesperadamente uma roupagem de pop-rock. Essa interpretação mais crua da faixa do álbum LEMONADE (2026) é, praticamente, um dos melhores momentos do show.
As faixas mais conhecidas (“Supernova”, “Armageddon”, “Whiplash” e “Next Level”) já eram esperadas para funcionar bem ao vivo, mas de fato se tornaram momentos para se guardar com carinho. Já algumas canções novas ganharam ainda mais força no palco.
“Switchblade”, “Camouflage” e “KISS N TELL” (uma das melhores músicas recentes do grupo) exerceram uma força imbatível, somando muito à experiência. O resultado foi apresentado com afinco e talento; é extremamente impressionante o nível de preparo das performers.
Quando o show separa as integrantes para apresentar os solos, e diferentes estéticas entram em cena, fica ainda mais nítida a entrega individual de cada uma e, acima de tudo, o quão bem tudo é encenado. Buscando evidenciar a singularidade do aespa como um todo, Karina cria algo mais performático, Winter aposta num lado mais agressivo, Giselle explora uma vertente mais urbana e Ningning estrela um ato incrível sustentado por uma potência vocal insana: tudo funciona.
Não faltaram momentos altos para os fãs sentirem e relembrarem sempre que possível, na pele, depois de 2 anos sem elas por aqui. E claro, tudo o que envolveu a situação do tal send-off é, de fato, frustrante. Mas, no fim, para um grupo que passou a carreira imaginando mundos digitais, o que mais vale agora é lembrar que, naquela noite, o aespa criou muitas lembranças físicas.









