Black Eyed Peas: tempestade de hits salva show com gafe visual no Rock in Rio

Hinos atemporais, homenagem a Sérgio Mendes e gafe com I.A, grupo espantou a chuva do Palco Mundo com energia e nostalgia

Em uma noite de apresentações escolhidas à dedo para celebrar as paradas de sucesso do dos anos 2000, o show do supergrupo estadunidense Black Eyed Peas no Rock in Rio se diferenciou de outras performances, como a de Nelly e Ne-Yo, pela atualidade de músicas que nunca envelheceram no inconsciente coletivo. will.i.am, apl.de.ap e Taboo, integrantes originais do BEP, contaram com os vocais de apoio de J. Rey Soul — com quem se apresentam desde 2018 — em uma performance que celebrou o trabalho coletivo dos três rappers, além de performances individuais pontuais. 

Todo o show pareceu ser composto por singles recentes, lançados em épocas próximas à noite do dia 6 de setembro, quando o Black Eyed Peas subiu ao Palco Mundo para revisitar composições da década passada. Mais antigo o lançamento, mais animada era a receptividade da plateia. A apresentação começou com “Let’s Get It Started” dando o pontapé inicial em uma setlist repleta de hits. “Boom Boom Pow” e “Rock That Body” vieram em seguida, quando will.i.am puxou o coro geral ao fazer brincadeiras com o nome do festival, fazendo com que Rock in Rio fosse a deixa perfeita para introduzir mais um banger do grupo. 

Black Eyed Peas no Rock in Rio por MORIVA/Alex Woloch (reprodução)

No entanto, o clima deu uma caída quando chegou a hora de apresentar os trabalhos mais recentes dos Black Eyed Peas: “RITMO”, “MAMACITA” e “IN THE AIR”. Logo em seguida, a performance de “MABUTI” e “Bebot” não foram tão celebradas, uma vez que se tratavam de faixas que não tinham tanto sucesso quanto os demais hits apresentados ao longo da apresentação do BEP. will.i.am, o integrante mais conhecido dentre a formação original, teve destaque ao performar “#thatPower” e “Scream & Shout”, canções de sua carreira solo. 

Outro ponto baixo da apresentação foi o convite do produtor musical Papatinho — não para subir ao palco, porque sua presença deixou o público agitado, principalmente ao puxar as batidas para lá de conhecidas de “Eu só quero é ser feliz”. A infeliz escolha foi quando o convidado performou sua nova composição com o Black Eyed Peas, “We Live Up in Here”. A estreia do single foi ofuscada pelas imagens que passavam no grande telão do Palco Mundo: todas feitas por inteligência artificial, retratando estereótipos brasileiros que a sociedade tenta fortemente desvencilhar da imagem nacional. Embora a música fosse divertida, os olhos, em choque, não saíam do telão. A faixa já se encontra disponível nas plataformas de streaming.

Em contrapartida à exibição de imagens que não representam a cultura e a vida no Brasil, will.i.am, apl.de.ap e Taboo ressaltaram seu amor pelo país, mencionando nomes de diferentes capitais dos estados brasileiros — mostrando que fizeram o dever de casa de geografia direitinho. Indo além, a homenagem prestada a Sérgio Mendes, com quem o grupo trabalhou junto em um cover de “Mas que nada”, composição assinada por Mendes, ressaltou a qualidade e a vastidão da música brasileira. 

O caminho até o encerramento da apresentação foi um medley dos principais hits do Black Eyed Peas. “Pump It”, “Don’t Stop the Party”, “The Time (Dirty Bit)”, “I Gotta Feeling” e “Meet Me Halfway” foram performados em trechos curtos: uma boa retrospectiva dos tempos áureos do supergrupo, mas que deixou sede em um público que, por uma hora seguida, conseguiu ignorar a chuva que caiu durante todo o show.

Related Posts

Total
0
Share