Caroline Polachek seduziu o público do Primavera Sound São Paulo como uma sereia

Em um dos melhores shows do Primavera Sound São Paulo, Caroline Polachek não precisou se esforçar muito para entregar momentos espetaculares

“Into me / Pang, and then I go”. Todas às vezes que Caroline Polachek cantava exatamente este verso no seu show no Primavera Sound São Paulo 2022 e as luzes brilhavam, o palco, a pista e as arquibancadas do palco Elo iam à loucura. A canção de abertura do espetáculo serviu como um grito eufórico e classudo para mostrar que Polachek iria entregar um dos melhores shows de todo o festival.

Esse primeiro passo na abertura foi só uma amostra visceral do concerto. Que nunca deixou de ser apaixonante e ficar em sintonias baixas. Era possível ver todos rendidos a voz e a hipnotização que a cantora rasgava ao cantar, até mesmo quando parava para falar em português.

Caroline Polachek / Créditos: Pridia (@pridiabr)

Cenas essas que aconteceram muito. O monólogo de “Parachute“, por exemplo, foi todo recitado em nossa língua – momento esse regado a muito fofura em que ela tentava segurar desajeitadamente as folhas em meio ao vento gelado.

Daí para frente todas as mágicas obras de seu repertório ganhavam um distintivo poder. Seja pelo ávido fato de que presenciar tais melodias ao vivo é surreal, como visitar um mundo fantástico, ou por quem dava tudo de si sem muito esforço em cima do palco.

Ao entonar “Door“, a cantora não se resguardava e muito menos os fãs. O repetitivo e delicioso refrão ganhava força a cada verso; o cover de “Breathless” já era simplesmente perfeito em estúdio, agora apenas atiçou ainda mais a esfera de talento que Polachek emana. “Billions“, uma das melhores do ano, e “Sunset“, ambas lançadas recentemente, estavam na garganta das pessoas. Foi lindo.

Bunny Is A Rider” é a filha prodígio dessa nova fase e foi elétrico ver o palco Elo cantar e dançar. Para encerrar, “So Hot You’re Hurting My Feelings” tocou minutos antes do show de Lorde no palco Primavera, todos começaram a cantar, quase como um spoiler do que iria acontecer no palco ao lado em algumas horas. Como se não bastasse, no minuto que o instrumental começou, era possível sentir ondas de movimento por todo o nosso corpo.

Foi simplesmente surreal ver como Caroline Polachek induzia os ouvintes a irem para cima de um pedaço de rocha dentro do oceano com a sua voz. Era vívido vê-la cantar, e era três vezes mais potente reparar que absolutamente todas as suas músicas são hipnotizantes e irreais, assim como a sua própria pessoa.

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