Festival Sensacional vai além do nome e impressiona Belo Horizonte com sua edição de 2022

Um dia bonito preparava Belo Horizonte para um festival inesquecível. No Parque Ecológico da Pampulha, quatro palcos se estenderam para dar à população e aos fãs de música 10 horas em um evento inesquecível.

Extremamente bem organizado, a organização se destacou nos menores detalhes: desde a comunicação pré-evento, clara, objetiva e muito bem feita, aos bares bem localizados e sem filas, a quantidade de banheiros, a distância entre os palcos e até a escolha no lugar, que possibilitou descanso, descontração e um clima quase inédito de calmaria nos festivais já presenciados aqui.

Logo na entrada, copos e tirantes coloridos e que celebravam a liberdade e a diversidade foram entregues para quem estava prestes a se divertir. Quem os perdesse poderia adquirir novos nos bares, já que a distribuição de copos descartáveis não passou pela mente dos organizadores do festival. Juntamente a lixeiras bem distribuídas, o resultado foi um festival limpo, em que lixo não era encontrado pelo chão. Até este ponto contribuiu para que tudo do Sensacional fosse agradável.

O respeito à diversidade e a inclusão eram base do festival, e ficaram comprovadas desde o line-up — que contou com artistas como Liniker, Letrux, Tulipa Ruiz, Baco Exu do Blues, FBC, Lamparina e Olodum —, até a equipe, público e pautas políticas levantadas no palco.

O primeiro show que assistimos foi da banda Francisco, El Hombre, que agitou o público com seus hits, presença de palco e controle de público. Com comandos políticos e danças elétricas, a banda mexicana-brasileira energizou os presentes. Era uma mistura de alívio, felicidade, união e esperança. A banda celebrou a vida em um horário mais do que perfeito para a realização de seu show para lá de quente: logo quando o Sol ainda estava forte.

Em sequência, Liniker entrou no palco com sua banda de quase dez músicos para mais um show da turnê Índigo Borboleta Anil, baseada no último álbum da cantora. Com um vestido e bota dourados, a artista exibiu todo seu talento e carisma do início ao fim, contando com a presença da amiga e mineira Tulipa Ruiz em uma participação de quatro músicas: “Víbora”, “Baby 95”, “Proporcional” e “Diz Quanto Custa”, mesclando o repertório de ambas as artistas.

Depois foi a vez de Lamparina, que causou frisson e alegria à centenas de fãs que gritavam e dançavam as músicas da banda. O grupo mineiro, que conta com a canção “Pochete” como integrante da trilha sonora da novela global “Cara e Coragem”, mostrou que está pronta para ultrapassar as barreiras do estado para conquistar o Brasil. A performance da banda foi uma bomba de dança, cantos e alegria — não era possível ficar parado. O show, que foi realizado no fim da tarde, terminou com um pôr-do-sol colorido, para combinar com a aura da Lamparina. Parecia até mesmo que esse fato havia sido combinado.

Em uma noite de climão, dos bons, Letrux veio ao palco com um traje brilhante de estrelas. Seu público fiel entoou cada letra de cada música, enquanto uma lua cheia acesa no fundo do palco guiava o show. A lua minguante abrilhantou o festival, e sendo apontada por Letrux diversas vezes, deixou o ambiente do parque bem mais bonito e agradável. Com um repertório que passeava principalmente por seus dois álbuns de sucesso, “Letrux em noite de Climão” e “Aos Prantos” tiveram suas versões ao vivo tocadas em uma hora de show, que contou também com a participação de Liniker na faixa “Sente o Drama”.

Baco Exu do Blues comandou o show seguinte no palco ao lado. Com uma introdução poderosa que trazia diversos ícones mundiais da cultura preta, o cantor entrou no palco arrancando gritos de uma plateia ávida por suas músicas. Acompanhado também de uma banda excelente, fica o destaque para as três vocalistas que tomam a cena em vários momentos do show e brilham com o artista, como no cover de “Espumas ao Vento”, canção original de Fagner, e que emocionou a plateia. Outros hits como “20 ligações”, “Me desculpa Jay-Z” e “Lágrimas” também estiveram presentes no show energético e inesquecível de Baco.

Assim como o pessoal do Lamparina, outro belo-horizontino que roubou a cena foi FBC, dono do hit “Se Tá Solteira”, entoado por toda a capital mineira e até mesmo em challenges do TikTok. O palco Coreto, um dos menores do festival, ficou pequeno para o rapper: a plateia chegava a disputar espaço com quem curtia música eletrônica no palco Masterplano. O artista, que se mune de energia para performar, não decepcionou e contou com diversas canções aclamadas em sua setlist. O último disco de FBC, “Baile”, estava na ponta da língua (e dos pés) de quem optou por assistir o show do artista em ascensão.

Foto: Tamás Bodolay/Festival Sensacional (reprodução)

E para fechar um dia tão lindo e cheio de vida, nada melhor do que conferir o show do Olodum, que dividiu o palco com Russo Passapusso, conterrâneo do grupo e integrante do BaianaSystem. Até aqueles que já estavam cansados das quase dez horas de festival descobriu alguma reserva de energia para pular, cantar e dançar com os baianos. A energia era carnavalesca, festiva, celebrante: uma aura perfeita para encerrar um festival tão lindo, limpo, alegre e Sensacional.

A organização do Sensacional também deu show, e visando possíveis problemas para voltar do Parque (que não fica em uma região central da cidade), a organização do evento ainda fez uma parceria com a TransGodoy, que disponibilizou (com um preço justo) um ônibus-transfer para um retorno otimizado, seguro e confortável para quem quisesse adquirir o serviço. Além disso, foi disponibilizado um guia de bolso para quem fosse curtir o Sensacional: nele, continham informações úteis a respeito da chegada, curtição e saída do evento. Quem não quisesse retornar com a TransGodoy também poderia seguir as dicas de linhas de ônibus para tomar ou de endereços para solicitar carros de carona e táxis.

Saímos do festival de alma lavada, compartilhando sorrisos com praticamente todas as outras pessoas que estiveram no festival, e carregando memórias incríveis e felizes de um dos melhores festivais que Belo Horizonte já viveu. Estamos ansiosos para os próximos!

Por Augusto Alvarenga

escrevendo, comunicando, filmando, criando e vivendo.


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