Billie Eilish já se provou uma artista multiformatos: a cantora não quer estar apenas nas plataformas de streaming, e por isso se esforça para criar experiências envolventes que alcancem seu público. De músicas premiadas em trilha sonoras para perfumes e itens de vestuário, a artista também não é novata no cinema.
HIT ME HARD AND SOFT: The Tour in 3D coloca mais uma vez Billie nas telonas do mundo, em proposta inédita de mostrar o show e alguns bastidores em codireção com James Cameron — diretor consagrado por filmes icônicos como Titanic, Avatar e O Exterminador do Futuro.
A proposta por si só foi suficiente para quase lotar a sala, com um público que infelizmente não segue as regras básicas de convivência no cinema: flashes ligados para gravação de stories, gritos ensandecidos e aplausos frenéticos tornam as 2h de filme um desafio. Claro que essa dinâmica em um show é mais que bem vinda, mas em uma sala fechada e escura, os incômodos não demoram a aparecer.
Já o material exibido em si, não faz jus ao preciosismo da artista. Com uma mixagem confusa, há momentos em que o filme tenta inserir o público do cinema na platéia do show, com gritos e vozes dos fãs cantando à medida que os mesmos aparecem na tela. Infelizmente, essa escolha quebra a magia e o magnetismo da performance de Billie, que tem a voz muito mais baixa e “camuflada” que a do público e que, tem parte de seu magnetismo diluído pela constante interrupção pelos gritos do público. Em momentos como “THE GREATEST” e “Happier Then Ever”, por exemplo, a bateria marcante e a guitarra de Finneas são tão camufladas na masterização que perdem todo o impacto e força.

A direção de James Cameron é fraca e rasa. O diretor aparece em poucos momentos na arena, sempre guiado pelo olhar atento de Billie, que o diz o que fazer e como captar. Dicas bem-vindas de quem conhece o show, mas fazem o diretor se resumir a um entrevistador com uma câmera 3D, que faz perguntas rasas, insossas e desinteressantes à Billie — fazendo com que qualquer entrevista no Youtube seja muito mais interessante e profundas do que os trechos “documentais” do filme, quase inexistentes.
Claro que a discografia da artista é um espetáculo à parte — e o 3D, apesar de desnecessário, funciona, para quem gosta da experiência — e sustenta a apresentação, mas com tantas intervenções de pós produção, pode ser mais interessante apenas ouvir o áudio do show (que foi lançado em vinil exclusivo e deve chegar também aos streamings nas próximas semanas). O filme, em si, acaba não sendo uma grande experiência nem para quem quer curtir o “show”, nem para quem espera um conteúdo documental interessante. Uma pena.









