Depois de ser comentadíssimo em Cannes, passar pelo Mubi Fest em diferentes cidades do mundo, incluindo São Paulo e contar com exibições no Festival do Rio, Hope – O Primeiro Impacto (2026) chegará aos cinemas brasileiros em 8 de outubro. Com distribuição da Imagem Filmes em parceria com a MUBI, o longa-metragem sul-coreano, se mostra como uma obra que sabe flertar com diferentes gêneros, para criar em narrativa e estética um universo cinematográfico que tem tudo para se tornar uma grande franquia.
O filme dirigido por Na Hong-jin se tornou a maior abertura de um filme sul-coreano nos Estados Unidos e ao mesclar, suspense, ação, comédia e terror, em 160 min de pura adrenalina, você saí atordoado do cinema. Com uma fotografia deslumbrante, uma trilha sonora que causa ansiedade e efeitos de CGI, digamos um pouco questionáveis, a narrativa constrói uma atmosfera densa e que demora a revelar o seu vilão.
Este suspense faz parte da construção e ambientação de mundo propostas pelo diretor e entre tantas perguntas possíveis a serem feitas, você termina se questionando se o monstro é eu ou o outro? Com sequências de perseguições intermináveis e rastros de destruição que vão ficando pelo caminho, você começa a duvidar da sua própria capacidade de interpretação do mal.
E novamente você volta para a ideia de que o suspense, assim como a música é personagem do filme. Em tempos que o imigrante é uma ameaça constante é inevitável também tomar a construção do filme como uma grande alegoria e metáfora do conflito político, social e militar entre as duas Coreias.
A história se passa inclusive em Hope, uma vila remota localizada próxima à Zona Desmilitarizada, faixa que separa as duas Coreias desde o armistício de 1953. Esta é uma das regiões mais militarizadas do mundo e, ao mesmo tempo, um dos poucos trechos da península em que a natureza cresceu sem interferência humana por décadas, a ponto de sustentar o folclore local de que grandes predadores ainda circulam por ali.
Apesar de o trailer ser colocado aqui, recomendamos que veja o filme, se possível sem assistir ao trailer, ou pesquisar mais sobre o filme, porque isso vai estragar boa parte da sua experiência.
A narrativa do filme se desenvolve em meio a incêndios florestais que assolam a região, poucos recursos humanos e militares, com comunicações cortadas, em que os protagonistas procuram formas de sobreviver e defender sua comunidade e nação de uma infiltração. Mas, de que ordem é essa infiltração? Quem são os personagens por trás deste ataque? Quem poderia causar tamanha destruição? Por que estes personagens agem dessa forma?
São perguntas que o longa busca responder, algumas de forma mais satisfatórias, outras nem tanto, mas que têm tudo para serem exploradas em novos filmes. Aqui a mensagem que fica é que “a fé é a evidência daquilo que não se vê”, e enquanto seres humanos que tememos tanto olhar para nós mesmos, talvez a dinâmica do filme que não possui respostas fáceis, nem final conclusivo, seja colocar em primeiro plano discursivo, por meio de alegorias, a ideia de que o monstro é você quando se olha no espelho do mundo.









