Natural de Uberaba, em Minas Gerais, o animador de stop-motion Thiago Calçado vem ganhando cada vez mais espaço entre as grandes produtoras que trabalham com a técnica em suas obras.
Depois de fazer parte da equipe de animação de Pinóquio por Guillermo del Toro (Guillermo del Toro’s Pinocchio, 2022), vencedora do Oscar de melhor animação e dirigida por Guillermo del Toro, de ter trabalhado com Wes Anderson em Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs, 2018) e com o próprio Travis Knight em Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo and the Two Strings, 2016), Thiago Calçado volta a atuar no estúdio Laika.
Seis vezes indicado ao Oscar e amplamente conhecido por Coraline e o Mundo Secreto (Coraline, 2009) e ParaNorman (2012), o estúdio volta aos cinemas do mundo todo após sete anos de hiato com O Bosque Selvagem (Wildwood, 2026). Foi um longo período de construção de mundo, de personagens e suas engrenagens, cenários e captação de movimentos, feitos em grande medida de forma artesanal e manual por diferentes artistas, artesãos e técnicos, em que a computação gráfica é muito pouco usada. De acordo com o diretor Travis Knight, foram 231 semanas de captura de imagens e movimentos para que 2.804 planos dessem vida ao filme.
A animação é uma adaptação da obra literária homônima de Colin Meloy e reforça a identidade da Laika, que, por meio de uma arte muito manual e extremamente complexa, constrói mundos inteiros, em que a extravagância de fazer algo eloquente é parte do projeto, independentemente do retorno financeiro ou do valor gasto. De acordo com as pessoas que fazem parte dos bastidores e da organização do estúdio, o que movimenta todos ali é o amor à arte e um certo prestígio que a empresa cultivou ao longo dos anos, pois suas produções são descobertas e redescobertas geração após geração, criando uma espécie de fã-clube em nome da marca, algo parecido com o que acontece com o estúdio japonês Ghibli.
Neste projeto, Thiago conta que está desde o início dos trabalhos e destaca que o que define o estúdio é o cuidado que todos os envolvidos têm com o projeto: o nível de atenção aos detalhes e a inspeção minuciosa para que tudo aconteça da melhor forma possível fazem, segundo ele, total diferença. Em um projeto tão ambicioso e grande como O Bosque Selvagem, em que o tema da superação é tão presente, ele se sente lisonjeado por estar com uma carreira cada vez mais estabelecida.
O longa chega aos cinemas brasileiros em 29 de outubro, com distribuição da Imagem Filmes, e em breve teremos texto crítico aqui no nosso site. Vale a pena ficar de olho, porque certamente é um dos grandes lançamentos dos últimos anos em termos de animação e possivelmente estará no circuito de premiações deste ano.









